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Ao contrário de que algumas pessoas pensam, o Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) não é uma invenção do mundo contemporâneo. Na Grécia e na Pérsia, antes de Cristo, são encontrados, em manuscritos, relatos sobre transtorno de humor, com alterações emocionais. No decorrer dos tempos, houve grandes esforços para compreender essas alterações e a sua etiologia (causa e origem). Por muito tempo a melancolia e a mania (euforia) foram consideradas doenças distintas. Araeteus da Capadócia foi o primeiro a unificar essas síndromes como única doença e a mania como um estágio da depressão. A sistematização do quadro foi feita pelo alemão Kreapelin que separou de forma definitiva da insanidade maníaco-depressiva da demêmcia precoce. Depois de longos estudos, por vários cientistas, passou a ser melhor compreendida e melhor caracterizada. Ainda alguns psiquiatras usam o termo psicose-maníaco-depressiva, mas hoje é conhecida como Transtorno Afetivo Bipolar incluído no manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria, o DSM e no código Internacional de doenças CID.

Há uma banalização do termo “bipolaridade” sendo usado de forma pejorativa. São dirigidas a pessoas que alteram o comportamento, são “de lua”, que se irritam facilmente ou que ficam agitadas em um período do dia. Há aqueles que usam o termo para ofender ou criticar alguém. Estar triste não significa que a pessoa está deprimida, e estar alegre ou irritado não confere estado de mania (euforia). Quem está apto para discernir o estado mental de uma pessoa é o psiquiatra ou o psicólogo.

Pela sua gravidade, o TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) é uma das doenças mais importantes na psiquiatria. Ela é crônica e afeta de 1% a 3% da população mundial. O TAB é considerado complexo, multifatorial, com comorbidade como ansiedade, transtorno de personalidade, abuso e dependência de substância psicoativa (SPA). Geram prejuízos funcionais (sociais, familiares e ocupacionais) na vida daqueles que são acometidos. A maioria dos estudos indica que tem início, em média, entre os 15 a 25 anos de idade, sendo que, homens e mulheres são afetados de igual maneira.

Todos querem saber as causas do TAB. A sua origem exata ainda não é conhecida, mas se sabe que existem fatores causais, tais como, biológicos, genéticos e fatores psicossociais. Os fatores biológicos envolvem alterações no sistema nervoso central como os neurotransmissores, a alteração da regulação neuro-endócrina e, mais especificamente, alterações em áreas cerebrais envolvidas no humor e neurovegetativo. Já os genéticos indicam que familiares de primeiro grau de pessoas com TAB têm um risco de 8 a 18 vezes maior de desenvolverem a doença. E os fatores psicossociais, como vivências em situações de grande estresse, podem desencadear as primeiras crises do TAB, bem como, envolvimento com drogas, desestruturação familiar, alta pressão emocional, entre outras.

De acordo com o DSM-IV, pode ser classificado em TAB tipo 1, TAB tipo 2 e TAB ciclotímico. O primeiro tipo é aquele em que o paciente, na maioria do tempo, está com depressão e aparece uma ou mais vezes durante a vida o polo mania. No segundo, o paciente, na maioria do tempo, está em depressão e aparece, uma ou mais vezes durante vida a hipomania (as manifestações são mais leves). E no terceiro, envolve numerosos períodos de sintomas hipomaníacos e numerosos períodos de sintomas depressivos alternados. Pacientes que apresentam alucinações e delírios é um indicador da gravidade do episódio

O risco de suicídio pode ter uma explicação para a mortalidade de pacientes com TAB e de acordo com os estudos, aproximadamente 25% dos pacientes com TAB, de um modo geral, tentam suicídio em alguma etapa de suas vidas. 11% completam o intento e 15% de tentativa de autoextermínio indicam pacientes com o tipo I.

As características clínicas do TAB envolvem alteração do humor com episódios de depressão e mania. A mania se caracteriza pela presença da elevação do humor e são marcadas com períodos de irritabilidade, aceleração na fala e do pensamento, ideias delirantes, aumento da atividade motora, redução da necessidade do sono, autoestima elevada, passa a comprar excessivamente sem necessidade e além do que pode, pensamentos de grandeza, maior envolvimento em atividades prazerosas e pode incluir sintomas psicóticos (alucinações e delírios).

O outro polo, a depressão, se caracteriza pela presença da diminuição do humor e é marcado por períodos de perda de energia, redução da fala e do pensamento, dificuldade em sentir prazer, diminuição do interesse pela atividade sexual, redução da velocidade psicomotora (física e mental).

O tratamento apropriado do paciente com TAB proporciona uma vida normal em casa e no trabalho. Ele é basicamente medicamentoso e geralmente o protocolo sugere que seja acompanhado de psicoterapia. Os medicamentos buscam manter o equilíbrio químico no cérebro. Inicialmente o tratamento é agudo com a finalidade de reduzir os sintomas para chegar à eutimia (humor normal) e a manutenção para evitar ou prevenir a variação do humor ou recaídas. Portanto, os medicamentos é para a vida toda.

Em 2009, os custos diretos e indiretos do transtorno bipolar foram estimados e podem ter chegado a US$ 151 bilhões em todo mundo. Portanto, o TAB é uma doença que merece atenção não só pelos custos financeiros, mas pela presença de prejuízos no trabalho, nos relacionamentos sociais, no casamento, tanto para o paciente quanto para os seus familiares.

Pr. Geovany Eliberto Araújo
Psicólogo, Mestre em Neurociências

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