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Imagine a cena: uma criança que, aos 4 anos de idade, ao sair na porta de casa, vê o pai brigando e sendo levado algemado pela polícia. Desesperada, em virtude da cena, ignorando ser tão pequena, essa criança agiganta-se diante dos policiais e, com o máximo da força existente em seu pequeno ser, luta, em vão, contra a polícia, a fim de tentar evitar a prisão do pai. Tempos depois, o acúmulo desses constantes desgastes emocionais causados pelo vício em álcool do pai, resultou em uma baixa na imunidade do menino, que o fez ser internado devido a um insistente quadro febril. Condoídos, a avó paterna e os tios do menino, que eram músicos, resolveram presenteá-lo com um cavaquinho de brinquedo. Para muitos, aquele seria um brinquedo qualquer, que facilmente ficaria esquecido em algum canto da casa. Mas para o hoje cantor, compositor, produtor musical e pastor Ronaldo André, foi apenas o início de uma história de superação e conquista que alcançou todo o Brasil, para a glória de Deus.

Ainda nessa época, Ronaldo, cujo talento musical já despontava como um dom extraordinário, sempre demonstrava grande interesse pelas músicas que os tios tocavam nas reuniões familiares de domingo, no lote da família de 7 irmãos, dentre eles, Onofre André, o pai de Ronaldo. Vez ou outra, inspirados na fé cristã de dona Lauzita, avó de Ronaldo, os irmãos tocavam o corinho “Olha o mar vermelho”.

Assim, apenas observando os tios e primos tocarem as músicas em seus instrumentos, Ronaldo tentava decorar a posição das mãos que os parentes faziam quando estavam tocando, para depois tentar fazer o mesmo. Como um autodidata, já aos 8 anos de idade, Ronaldo conseguiu aprender os primeiros acordes, ainda que tivesse que pegar o violão escondido dos tios, para tocar as primeiras canções. O pai, entusiasmado ao ver o filho tão pequeno executar o violão que lhe era proporcionalmente muito maior, sempre levava Ronaldo aos bares e lugares onde costumava frequentar, para exibir o talento do filho que a todos impressionava. Por outro lado, dona Lauzita, que assiduamente participava de cultos, também levava Ronaldo para a igreja.

Ronaldo, então, cresceu, não só entre um acorde e outro, mas também entre uma pregação e outra. Durante os cultos, Ronaldo era levado à sala das crianças, que ficava ao lado do salão da igreja e de lá espionava, maravilhado, um outro instrumento que começou a marcar fortemente a sua vida: a guitarra. Aos 11 anos, quando um dos seus tios adquiriu também uma guitarra, Ronaldo se esforçava para, clandestinamente, tocar o instrumento, pois o tio a guardava a sete chaves, inclusive ainda embrulhada. Com muito esforço, o pequeno músico tentava tocar a guitarra do tio mesmo envolvida no plástico, para não correr o risco de ser flagrado pelos adultos, sem perder a oportunidade de aprender a tocar.

Ao mesmo tempo, embora os instrumentos de corda sempre trouxessem grande satisfação à vida de Ronaldo, as dificuldades e restrições financeiras causadas pelo alcoolismo do pai forçavam o menino a enfrentar uma dura realidade. Não raras vezes, Ronaldo costumava trabalhar como flanelinha no Ceasa da sua cidade natal, Contagem, e, quando o trabalho não lhe rendia o suficiente, ele buscava frutas e verduras no lixão do local, cortando o que estava podre e aproveitando o resto, para garantir o alimento da família.

Nesse ínterim, a família de Ronaldo começou a se voltar para Jesus. Sua mãe, Maria das Dores André, converteu-se e tentava manter os filhos na igreja. Contudo, Ronaldo resistiu à ideia de se tornar crente. “Eu nunca fui de beber ou fumar. Mas, aos doze anos, eu já tocava em diversos locais, inclusive em igrejas não evangélicas. Assim, eu resistia à ideia de ser crente, porque, dentre outros motivos, pensava que eu ficaria impedido de fazer muita coisa que gostava de fazer”, confessa o cantor.

Foi assim que, aos 13 anos de idade, em uma noite em que visitava uma igreja evangélica, Ronaldo ouviu o irmão Zezé, hoje pastor Zé Amaro, pregando o Evangelho de uma maneira que seus ouvidos espirituais se abriram. Na hora do apelo, Ronaldo aceitou Jesus como seu Senhor e Salvador e passou a dedicar a sua vida e o seu talento inteiramente ao Senhor. Anos mais tarde, entrando para um grupo musical cristão, com canções de sua autoria, a banda começou a fazer sucesso e Ronaldo passou a viajar por todo o Brasil. Porém, as viagens e hospedagens em hotéis de diversas cidades do país, ainda estavam longe de representar uma autêntica mudança de vida. “Já com 20 anos, eu viajava, dormia em bons hotéis, compunha músicas que faziam sucesso no meio evangélico, mas, quando voltava para casa, precisava dormir em um sofá velho, cheio de percevejos, porque não tinha condições de comprar sequer uma cama, tampouco um refrigerante, ao mesmo tempo que eu ouvia minhas músicas nas rádios e os CDs da banda sendo vendidos em todo o Brasil”, revela.

Depois de enfrentar algumas controvérsias, Ronaldo decidiu sair da banda e tentou seguir com a vida. Enquanto tentava formar outras bandas, ele conheceu Solange, que viria a ser sua esposa. Em agosto de 1996, estando já noivo dela, Ronaldo foi convidado a produzir e gravar o CD de uma cantora no estúdio de uma igreja que já lhe era muito familiar: a Igreja Batista Getsêmani. Convidado pelo pastor Marquinhos para trabalhar no estúdio, Ronaldo assumiu o compromisso de passar a produzir CDs evangélicos. Após se casar, ainda com muita dificuldade, Ronaldo começou a se resignar com o fato de que poderia viver apenas produzindo músicas para outras pessoas. Contudo, vitórias em outras áreas da vida começavam a chegar. O pai, que por anos havia sofrido com o vício em álcool, foi liberto e se reconciliou com Jesus.

Compondo a música “Celebre ao Rei”, Ronaldo, que estava desiludido com a carreira musical, cedeu a gravação ao pastor Marquinhos. Experimentando uma sensação mista de alegria e desilusão, Ronaldo viu a composição invadir as igrejas brasileiras e chegou a se perguntar se ele deveria mesmo ser cantor. “Talvez”, pensava o cantor, “eu não fui chamado para fazer carreira pessoal na música”. Ainda assim, Ronaldo André voltou a investir na carreira solo e começou a empreender viagens para feiras e congressos, onde, por conta própria, distribuía seus CDs. Depois de compor as músicas do CD “Instrumento Teu”, em 2014, Ronaldo recebeu o convite para cantar 4 músicas em um programa de TV e começou a perceber Deus lhe abrindo as portas para que pudesse, enfim, ser um instrumento do Deus vivo por meio do talento que lhe foi concedido. Ronaldo, então, assinou contrato com a gravadora Graça Music, teve sua carreira solo abençoada por Deus e voltou a viajar por todo o Brasil, conquistando as paradas de sucesso nas rádios e igrejas evangélicas de todo o país. Após alguns meses cantando a música do CD “Instrumento Teu”, Ronaldo, que não fazia ideia que já havia vendido mais de 40 mil cópias do CD, foi agraciado por Deus com um Disco de Ouro, prêmio recebido por aqueles que atingem essa marca.

Hoje, além de cumprir extensa agenda de apresentações, Ronaldo André é pastor auxiliar na Igreja Batista Getsêmani, coordenando o Culto Profético Pentecostal, às quartas-feiras, às 19 horas. Ronaldo segue cantando “Instrumento Teu” e sendo um autêntico instrumento de Deus na vida de muitos que têm se inspirado em suas músicas para também se entregar e se dedicar ao Deus vivo como instrumentos d’Ele.

Anna Rodrigues
Fotos: Arquivo da Internet

► Discografia Ronaldo André
– Em versos (1999)
– A quem tem sede (2003)
– Tua presença (2009)
– A Ele (2011)
– É impossível mas Deus pode (2013)
– Instrumento teu (2014)

Website: www.ronaldoandre.com.br

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