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silas-textoNa última terça-feira, 26 de abril, a Igreja Batista Getsêmani recebeu a visita do renomado pastor e conferencista Silas Malafaia, que pregou, pela manhã, na reunião do Conselho de Pastores, e, à noite, no Culto da Vitória. No intervalo entre os dois cultos, o pastor Silas concedeu uma entrevista exclusiva ao GetNews, respondendo questões específicas a respeito de um assunto que vem sacudindo o Brasil nos últimos meses: a política. Acompanhe.

GetNews – Na sua visão, o impeachment muda ou não muda o Brasil?
Silas – Claro que uma ação dessas vai mudar o país, porque não se está tirando o “assistente do carimbador”, como se diz. Está sendo tirado o mais alto mandatário do país, a Presidenta. Haverá uma ruptura. Apesar de não ser uma situação fácil, é certo que o Brasil vai melhorar, porque esse governo está envolvido em toda a roubalheira, além de ser incompetente administrativamente.

GetNews – Segundo o seu entendimento, o que precisa, de fato, mudar para que o Brasil retorne à sua rota de progresso?
Silas – Primeiro: é preciso haver punição para os corruptos. E essa punição tem que ser exemplar, para que as pessoas passem a ter medo e entendam a velha máxima: “O crime não compensa”. Segundo: é preciso cessar os programas de compra de votos, como bolsa-família, por exemplo, que tem alimentado a “vagabundagem”. Eu sei que existem os bolsões de pobreza e que o Estado tem que ajudar as pessoas, mas todos sabemos que esse dinheiro é usado para institucionalizar a compra de votos. Diga para mim, qual é o país que sairá da crise sem produzir? O que precisamos, hoje, é um país produtivo, como foi a Alemanha e o Japão depois da Segunda Guerra. Eles saíram de uma completa destruição para a glória, graças ao trabalho duro.

GetNews – Como se daria uma reforma política no Brasil?
Silas – O pessoal tem falado muito em mudança de modelo de governo. Eu não acredito nisso. A meu ver, é necessário cessar a cultura do benefício inútil. O governo tem investido dinheiro com programas que não chegam a lugar algum, e ainda gasta além do que tem em caixa. Em qualquer nação civilizada é preciso ter um orçamento, senão, um dia, “a bomba vai estourar”, como está acontecendo hoje no Brasil, que tem um déficit de trilhões de reais. O que precisamos, de fato, é de uma reforma fiscal e de uma reforma trabalhista. No Brasil, temos um sindicalismo profissional “mamando nas tetas” do governo. As regras sindicais “aparentemente” beneficiam, quando, no fundo, prejudicam o trabalhador. Na América do Norte, por exemplo, a coisa funciona assim: trabalhou, recebe, não trabalhou, não recebe. Essa é a cultura de nações de primeiro mundo.

GetNews – O Brasil tem candidato à presidência para 2018?
Silas – Sinceramente, entre os que estão aí, nenhum me convence. Vamos orar e pedir a Deus para levantar alguém que tenha liderança, estrutura e conhecimento. Não basta ser político. Essa pessoa tem que ter vocação para administrar e comprovado dom de liderança. Precisamos de um presidente que seja político, mas também técnico e competente. Que Deus levante para o Brasil alguém dotado dessas qualidades. Precisamos de um líder para ajudar o país a atravessar esse momento de crise.

GetNews – O que efetivamente a Igreja pode fazer para ajudar o Brasil a mudar? Só oração basta ou temos que fazer algo mais?
Silas – Quando Deus mandou o povo cativo para a Babilônia, onde passaria 70 anos, Deus os instruiu, conforme consta em Jeremias 29: “plantai, crescei, construí”. Deus fala de todo um campo social; fala de produtividade. Em outras palavras, Deus disse: vocês vão para a Babilônia, mas cresçam lá. Mas para crescer, vocês devem trabalhar e produzir. Além disso, eles deveriam orar pela paz da cidade. Um problema recorrente entre os evangélicos brasileiros é que eles querem espiritualizar onde deveriam trabalhar, e querem trabalhar onde deveriam espiritualizar. No antigo e no novo testamentos, Deus trata o ser humano como um ser biológico, psicológico, sociológico e espiritual. Lamento que muitos crentes pensem que são apenas seres espirituais. Isso está errado! Nós temos que produzir, trabalhar, influenciar a sociedade, nos fazer presentes na política, na indústria, no comércio, na diplomacia, nas ciências e nas artes. O Reino de Deus não é para ser implantado no Céu, mas na Terra. O evangelho não é religião, mas sim, o Reino de Deus. Como vamos implantar o Reino na Terra se não influenciamos a sociedade? Só assim vamos mudá-la. Quando a Coréia era um país arrasado e dividido pela guerra, uma igreja poderosa se levantou e influenciou a nação até torná-la uma potência mundial. Ao estudarmos a história das maiores nações, veremos que a matriz de todas sempre foram os evangélicos, que produziram e influenciaram em todos os campos. A omissão de muitos evangélicos a tudo que está acontecendo não é nada mais do que “covardia”.

GetNews – Qual é a sua opinião sobre Deus usar uma pessoa declaradamente não cristã, como o Sérgio Moro e juízes do STF, por exemplo, para moralizar o Brasil?
Silas – Não há nenhum problema. Existe a vontade absoluta e a vontade permissiva de Deus. Você está falando da vontade permissiva de Deus. Ele está no controle, mas permite ao homem escrever a própria história. Essa é uma maneira de Deus dar uma lição em nós mesmos. Por exemplo, especificamente dentro da Operação Lava Jato, há muitos cristãos trabalhando, inclusive, em cargos de liderança. Deus usa pessoas cristãs e não cristãs para escrever a História. Deus usou Nabucodonosor, um rei ímpio. Miles Munroe disse, em certa ocasião: “O Diabo é empregado de Deus”. Veja no caso de Jó. Satanás operou milimetricamente até onde Deus permitiu. O Diabo não é dono de nada, para que possa fazer o que deseja. Deus está no controle. Se o povo cristão intercede, Deus irá usar pessoas para responder.

GetNews – Procede a ideia de que a corrupção aparentemente generalizada no Brasil está contaminando também a Igreja?
Silas – A corrupção não contamina a Igreja, pois ela é a Noiva do Cordeiro. A Igreja sempre será santa e triunfante. Nós não podemos confundir pessoas da Igreja contaminadas pela corrupção com uma Igreja corrupta. A Igreja é o hospital de Deus. Nele estão sempre chegando doentes para serem tratados. Eu sempre brinco: “Sabe quando a Igreja passou a ter defeito? No dia em que eu cheguei nela”. Porque se eu não estivesse lá, ela seria perfeita. Declarar que a Igreja está envolvida em corrupção é perigoso. Não é a Igreja que está envolvida, mas sim, algumas pessoas dela.

GetNews – O senhor tem recebido muitas críticas, pelo fato de, sendo um pastor, suas pregações e vídeos estarem mais voltadas para a Política e menos para a Teologia. Como o senhor responde a essas pessoas?
Silas – Primeiro, que isso não é verdade. É mentira e calúnia. Eu desafio alguém a pegar minhas mensagens dos últimos cinco anos e analisar o teor político. Com todo respeito, se tem alguém que prega a Bíblia, esse alguém se chama Silas Malafaia. As pessoas estão fazendo confusão com as minhas posições como cidadão. Nesse ponto eu não abro mão de ser cidadão. Jesus não menosprezou a Sua própria cidadania. “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Em outras palavras, Jesus ensinou que devemos cumprir nossas atribuições como cidadãos da Terra e como cidadão dos céus. Paulo diz em Romanos 13.7: “A quem tributo, tributo, a quem imposto, imposto”. Isso significa exercer a cidadania. Em Atos 16, quando apanhou sem ser julgado, Paulo evocou sua cidadania romana. É ilusão pensarmos que não temos nada a ver com o que está acontecendo. Eu me posiciono, sim, e continuarei me posicionando. Eu não fui chamado para ser político, mas para influenciar. Vocês nunca me verão candidato a nada, porque, com todo respeito, não vou me rebaixar. Minha função como pastor está acima da função de um deputado ou de um senador. Eu tenho uma voz profética que Deus me deu e não vou me calar diante de toda a lama que estamos presenciando. As pessoas, infelizmente, não sabem o preço que eu pago para ser quem eu sou. As pessoas não sabem a perseguição que eu sofro; coisas que não posso nem falar. A intensidade da maldade para me calar é enorme. Por isso, não estou preocupado com a opinião alheia, haja vista, que estou dentro da vontade de Deus. Eu não quero que alguém me acuse de ter pegado o Evangelho e o rebaixado, como vejo alguns “esquerdopatas gospels” fazendo, propagando uma teologia que está mais para Comunismo do que para Igreja. Eu não misturo essas coisas. Como cidadão e ser sociológico que sou, e também como ser psicológico, eu me posiciono. Minhas mensagens estão todas aí na Internet. Alguém me diga quando foi que misturei política com teologia.

Atilano Muradas
Foto: Carol Naves Campelo

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